Ferramentas de Desenvolvimento

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No último artigo, vimos um pouco mais sobre alguns conceitos a respeito de algoritmos, mais precisamente as suas fases. E, também comentei que, desta vez, iremos começar a “colocar a mão na massa”! Para isso, precisamos instalar algumas ferramentas de desenvolvimento em nossos computadores. Vamos lá?

A Ferramenta Principal

A primeira ferramenta que precisamos para começar a desenvolver algoritmos computacionais é de um interpretador. Outra possibilidade é usarmos um compilador. Já, já, falaremos mais sobre eles. Neste curso, conforme comentei no artigo de Boas-vindas, nós iremos usar um interpretador chamado Portugol Studio. Nos cursos universitários, é muito comum se usar um interpretador chamado VisuAlg. Mas, não se preocupe, porque pretendo colocar exemplos usando os dois dialetos de Portugol. Você se lembra o que é o Portugol, né? Se não, leia os artigos anteriores! 🙂

Interpretadores

Um interpretador é um programa que sabe ler um algoritmo escrito em uma linguagem de programação e repassar cada um dos comandos que estão representados no programa para o computador executar. É por isso que eu falo tanto em “dialeto” de Portugol. O Portugol Studio, por exemplo, sabe ler um programa escrito no Portugol para o qual ele foi programado para entender. Enquanto que o VisuAlg foi programado por outras pessoas, que tinham sua própria ideia de como seria essa linguagem. Daqui a pouco, darei um exemplo de um mesmo programa escrito nesses dois dialetos do Portugol para que você tenha uma ideia melhor do que estou falando. Enquanto isso, observe a figura abaixo que mostra um esquema representativo de um interpretador.

Interpretadores

Compiladores

E, os compiladores? Bom, os compiladores são programas que lêem o seu algoritmo escrito em uma linguagem de programação e o traduzem para uma outra linguagem que chamamos de código de máquina ou código binário, que é a que o computador entende. Note que, nesse caso, um outro arquivo é gerado. É comum chamarmos esse arquivo de “executável“, porque você pode executá-lo diretamente no seu computador. O arquivo onde você escreveu seu algoritmo costumamos chamar de “código-fonte“. E, o processo de transformar um código-fonte em código de máquina chamamos de compilação. A figura abaixo mostra um esquema representativo desse processo.

Compiladores

É importante notar que o arquivo executável é específico para uma plataforma, ou seja, ele só pode ser executado em determinado sistema operacional + hardware. Exemplo: se você escrever um algoritmo (código-fonte) e o compilar para Windows, o arquivo executável gerado só poderá ser executado no Windows. Se você tentar executá-lo no Linux, ele não vai entender. Nesse caso, você teria que usar um compilador específico para essa plataforma.

Hibridismo

Uma terceira possibilidade é usarmos os dois tipos de processo (compilação e interpretação) ao mesmo tempo. Isso é feito compilando-se o código-fonte para um código binário específico para uma plataforma que é, na verdade, um outro programa, um interpretador de códigos binários (se você já usou um emulador, você já viu isso acontecer). Nesse caso, é comum chamarmos esse interpretador de “Máquina Virtual“. Algumas tecnologias atuais como Java e .Net se baseiam nessa ideia. Observe a figura abaixo para entender melhor o processo como um todo:

Hibridismo

Parece um trabalho muito grande, mas existe uma vantagem de se usar essa abordagem: uma vez que você compila seu código-fonte, você tem um arquivo binário que pode ser executado em qualquer computador que tenha uma máquina virtual disponível para ele. Note essa situação no esquema da figura abaixo:

Hibridismo em Ação

Escrevendo seu Algoritmo

Outro programa que precisamos na nossa “caixa de ferramentas” é de um editor de textos para você escrever os seus algoritmos (códigos-fonte). Esse editor não pode ser, por exemplo, o Microsoft Word. Ele deve ser um que grave o seu texto de forma “pura”. O que eu quero dizer com isso? Bom, quando você escreve um texto no Word, você pode configurar dimensões de página, formatar letras em negrito, itálico, etc. Ao gravar um arquivo com o seu trabalho, essas informações irão junto ao seu texto. E, essas informações extras não são entendidas pelos interpretadores e compiladores.

No entanto, é muito comum usarmos ambientes integrados de desenvolvimento, também conhecidos como IDEs (Integrated Development Environment). Esses programas fornecem um editor de textos apropriado que se integra com o interpretador ou compilador sendo usado, além de ferramentas extras. A boa notícia é que o interpretador Portugol Studio que iremos usar é, na verdade, um IDE. Assim, você irá instalá-lo e já poderá começar a escrever os seus programas!

Nosso Primeiro Programa

Agora que você já sabe o que é o Portugol Studio e o porquê você precisa dele, vamos instalá-lo e escrever nosso primeiro programa! Para isso, vá até o site dele e faça seu download. Após isso, instale-o no seu computador e execute-o. Você deverá ver a seguinte tela:

Tela Inicial do Portugol Studio

Para escrevermos nosso primeiro programa, clique no ícone Icone de Novo Algoritmo do Portugol Studio, localizado no canto esquerdo superior. Você deverá ver a tela onde é possível começar a digitar nosso algoritmo:

Tela de Programação do Portugol Studio

Note que a principal área do Portugol Studio é o editor de textos. Nas próximas aulas, explicarei com mais detalhes cada uma das funcionalidades disponíveis. Por enquanto, clique na área do editor e escreva o seguinte programa:

programa
{
	funcao inicio()
	{
		escreva("Olá, mundo!")
	}
}

Não se preocupe, ainda, em entender os detalhes desse código. Apesar de que eu tenho certeza de que você deve ter percebido que a ideia dele é mostrar a mensagem “Olá, mundo!” na tela. Aliás, é muito comum, ao aprendermos uma nova linguagem, criarmos exatamente um programa desses. Assim, podemos ver, rapidamente, algum resultado.

Uma vez que você terminou de digitar o código, é possível executá-lo! Para isso, clique no ícone Ícone de Executar Algoritmo do Portugol Studio. O Portugol Studio irá abrir uma seção (aba) na parte inferior dele chamada “Console” que é onde é mostrada a saída, ou seja, o resultado do seu programa. A imagem abaixo mostra isso:

Tela de Saída do Programa Olá Mundo

Parabéns!!! Você acaba de criar e executar seu primeiro programa em Portugol!!!

Ah! Conforme prometido, segue o código do mesmo programa escrito no Portugol do VisuAlg:

algoritmo "OlaMundo"
inicio
	escreva("Olá, Mundo!")
fimalgoritmo

Como você pode perceber, os códigos são muito parecidos. O que muda entre uma e outra linguagem são, basicamente, a sintaxe e as palavras-chave, conceitos que irei abordar muito em breve. Por isso, é comum dizermos que, uma vez que você sabe lógica de programação, aprender uma nova linguagem é fácil. E, note que essa história de dialetos é difícil de acontecer entre linguagens de programação comerciais, por assim dizer.

Conclusão

Nesse artigo, você viu quais são as ferramentas básicas necessárias para começar a desenvolver seus próprios algoritmos computacionais: um editor de textos e um interpretador ou compilador. Além disso, entendeu o que são interpretadores e compiladores e como podemos usá-los em conjunto para criarmos programas que são executados em diversas plataformas. Também, viu o que são IDEs, instalou um chamado Portugol Studio e criou e executou o seu primeiro programa em Portugol! Isso não é maravilhoso? 🙂

Os códigos vistos aqui, apesar de serem bem curtos, disponibilizei também no GitHub. Caso tenha dúvidas, críticas, sugestões ou não, por favor, deixe seu comentário aí embaixo. É desta forma que saberei se estou no caminho certo na forma de passar esse conhecimento e de saber se estou gerando valor para você! Ficarei muito grato pelo seu feedback. Te espero na próxima aula! 😉

4 Comments on “Ferramentas de Desenvolvimento
  1. Grande Ramon! Muito bem explicado a questão dos interpretadores e compiladores, de forma bem simples, dando essa iniciação no desenvolvimento de softwares pra quem está começando agora. Show de bola, parabéns!

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